sábado, 4 de outubro de 2014

Retrofit dá nova vida e uso a imóveis antigos


Fotos: Henry Milléo/ Gazeta do Povo
Fotos: Henry Milléo/ Gazeta do Povo / O prédio da Sociedade dos Operários do Batel foi retrofitado para receber o espaço Nex CoworkingO prédio da Sociedade dos Operários do Batel foi retrofitado para receber o espaço Nex Coworking
TENDÊNCIA
Técnica arquitetônica atualiza os empreendimentos às necessidades atuais sem perder as características do edifício
Publicado em 14/09/2014 | 

Proporcionar outro uso e dar uma nova “cara” a edifícios antigos. Assim pode ser definido o retrofit, técnica arquitetônica de revitalização de espaços que representa cerca de 30% das intervenções em edifícios já existentes em Curitiba, segundo estimativa do arquiteto Orlando Ribeiro, professor do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR).
A técnica ganha destaque principalmente nos imóveis localizados na região central, onde a alta taxa de ocupação estimula novas utilizações dos edifícios já construídos. Dessa forma, eles têm sua vida útil ampliada por meio da inserção de tecnologias, sistemas modernos e materiais que valorizam as características do imóvel, tornando-as compatíveis aos usos e restrições urbanos atuais.
Intervenções
Diferenças importantes separam a reforma e o restauro do retrofit
Reforma: realizada com o objetivo de promover melhorias no imóvel, não exige a preservação das estruturas originais. As características estéticas e formais das edificações podem ser alteradas completamente.
Restauração: Técnica que busca recuperar e/ou preservar uma edificação, mantendo ao máximo suas características originais. Regida por regras rígidas, deve ser executada por profissionais com capacitação específica em restauro.
Retrofit: ação de revitalizar e atualizar edifícios antigos por meio da incorporação de tecnologias e materiais modernos, mas mantendo suas estruturas originais. Aumenta a vida útil do imóvel e, geralmente, lhe dá novo uso.
Diferentemente da reforma – intervenção que pode alterar significativamente a edificação existente –, e da restauração – que recupera ao máximo possível as características originais –, o retrofit busca manter as estruturas originais do imóvel alterando os demais elementos. É, portanto, uma alternativa intermediária entre as anteriores. “Trata-se de uma estratégia de intervenção para qualquer tipo de empreendimento. Você pode pegar um barracão industrial e transformá-lo em uma pista de skate coberta, por exemplo. Não importa a vocação que vai dar para o empreendimento, desde que o revitalize”, explica Ribeiro.
Milena Schulmeister, arquiteta da Fibonacci Construções Civis, lembra que qualquer melhoria aplicada ao imóvel que preserve suas características, como a troca das janelas de um edifício mantendo padrões de formato e cor, já pode ser considerada retrofit.
Necessidades modernas
A adaptação dos espaços para novos usos, como o corporativo – que demanda maior desempenho elétrico e hidráulico –, é um dos principais motivadores dos investimentos em obras de retrofit.
Além da manutenção dos espaços, a necessidade de atualização dos imóveis às legislações atuais referentes à acessibilidade, segurança e às normas de desempenho térmico, acústico e energético também entram na lista dos fatores que estimulam a opção pela técnica, inclusive em prédios residenciais. “Antigamente a legislação não era tão rigorosa e, hoje, as necessidades são outras, como internet, tevê a cabo. O retrofit permite a adaptação dos ambientes para responder a esta demanda”, diz Milena, que assina dois projetos de retrofit com este perfil.
A arquiteta ressalta, entretanto, que o projeto e a obra devem ser gerenciados por um profissional habilitado – arquiteto ou engenheiro  – que tem o conhecimento técnico necessário para avaliar se o imóvel é candidato ao retrofit ou não, além de executar as alterações da forma adequada e de acordo com a legislação vigente.
Retrofit pensado para valorizar a convivência
A nova sede da Nex Cowor­­king e Inovação é um representativo exemplo de como o retrofit pode renovar um imóvel antigo e dar a ele um ar de modernidade, sem deixar de lado o charme que as décadas passadas imprimiram sobre a construção.
Instalada na antiga sede da Sociedade dos Operários do Batel, a empresa encontrou nos vãos livres do prédio o ambiente que procurava para expandir o negócio, que tem um perfil colaborativo. “Os vãos são importantes para o modelo que propomos. Visitamos outros prédios, alguns até mais novos, mas, quando entramos aqui, percebemos que este era o local. A escolha deste prédio trouxe, inclusive, um novo padrão para o negócio”, conta André Pegorer, sócio-fundador do Nex.
A obra de retrofit para adaptar o prédio às necessidades do negócio durou cerca de seis meses, entre a concepção do projeto e o início das operações da empresa. As arquitetas Francis Bergmann Bley e Adriana von Bahten, responsáveis pelo projeto e acompanhamento da obra, contam que procuraram trabalhar de forma com que o retrofit fizesse sentido em relação ao uso anterior. “Na antiga pista de dança estão algumas das estações de trabalho, onde as pessoas continuam se encontrando”, diz Adriana. O palco, por sua vez, foi transformado no auditório.
Outras estruturas precisaram ser aprimoradas para comportar o fluxo de pessoas no prédio. Os sanitários passaram de um para oito, enquanto a rede elétrica recebeu reforços para comportar os aparelhos modernos. Também foi criado um acesso lateral para portadores de necessidades especiais e está em processo de instalação um elevador para deslocamento entre os pavimentos, antes feito unicamente pelas escadas. As obras referentes à restauração do prédio, como a conservação da fachada, foram executadas pelo proprietário do imóvel.
Exemplares
O termo retrofit ainda nem era amplamente conhecido quando alguns dos principais pontos turísticos e comerciais de Curitiba receberam intervenções para adaptá-los a novos usos. Confira alguns deles:


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Shopping Mueller: Inaugurado em 1983, o Shopping Mueller é primeiro e um dos principais centros de compras da capital. Antes de abrir as portas aos clientes, o prédio onde funciona o empreendimento abrigava por décadas uma metalúrgica, conhecida como “fábrica dos irmãos Mueller” Jonathan Campos/ Gazeta do Povo

domingo, 17 de agosto de 2014

Imóveis antigos continuam atraentes

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Daniel Castellano/Gazeta do Povo
Daniel Castellano/Gazeta do Povo / Para Ana Maria dos Santos e o marido, a boa localização estava na lista de prioridades  para a escolha do apartamento antigoPara Ana Maria dos Santos e o marido, a boa localização estava na lista de prioridades para a escolha do apartamento antigo
Boa localização, tamanho e preço mais em conta movimentam o segmento de apartamentos com mais de 20 anos de construção
Publicado em 30/07/2014 | 

Apesar da grande oferta de imóveis novos no mercado, os antigos têm lá os seus encantos e mantêm um bom ritmo de vendas. Nos últimos doze meses até maio, mais de 34% dos apartamentos residenciais usados vendidos em Curitiba tinham mais de 20 anos de construção. O dado é do Instituto Paranaense de Pesquisa e Desenvolvimento do Mercado Imobiliário e Condominial (Inpespar), do Sindicato da Habitação e Condomínios do Paraná (Secovi-PR).
Obras
Reformas adequam o imóvel às necessidades do comprador
O valor economizado na compra de um imóvel antigo é, muitas vezes, investido na realização de uma reforma no apartamento. A arquiteta Andressa Haratz, sócia do escritório Creatio Arquitetura, explica que é necessário adequar e atualizar o imóvel para que ele responda às necessidades da família.
As reformas estruturais, que incluem questões elétricas e hidráulicas, são as mais comuns nesse tipo de apartamento, uma vez que muitos ainda contam com tubulações de ferro, que podem estar enferrujadas, ou fiação que não comporta a carga utilizada pelos equipamentos modernos. “A adequação elétrica é mais simples de ser realizada, pois o uso do gesso e do drywall permite que não seja preciso quebrar as paredes”, conta.
Vale ficar atento também a rachaduras e infiltrações que podem vir da parte externa ou de um apartamento vizinho para saná-las assim que percebidas. Buscar informações sobre possíveis alterações feitas no imóvel pelo proprietário anterior também é importante, acrescenta Andressa. “O comprador deve contar com o auxílio de um profissional para executar as modificações de forma correta, sem prejudicar o imóvel”, indica.
O investimento e o transtorno da obra, entretanto, podem ser compensados pela qualidade final do imóvel, que oferece um espaço amplo e a possibilidade de adequação ao gosto do proprietário. “Comprar um imóvel antigo implica em determinados ônus, faz parte da decisão de compra. A pessoa tem que saber que não está adquirindo algo novo e assumir isso”, resume o arquiteto David Queiroz de Sant’Ana.
Entre as kitinetes, quase 70% dos imóveis comercializados foram construídos há mais de duas décadas. Nos apartamentos de três quarto – considerados o sonho de consumo dos curitibanos –, o número de unidades que já atingiram a “maioridade” corresponde a 37% dos imóveis vendidos no período.
A localização privilegiada é um dos aspectos que justificam a procura por este tipo de imóvel. Geralmente, os prédios foram construídos no Centro ou nos bairros que cercam a região central, como Água Verde e Batel, explica Luciano Tomazini, vice-presidente de vendas do Secovi-PR. “A falta de lotes nestas regiões faz com que quem deseja morar nesses bairros opte pelos imóveis antigos”, diz.
Foi o que fez o casal Ana Maria dos Santos e David Queiroz de Sant’Ana. A facilidade de se locomover a pé para realizar as tarefas do dia a dia era um dos primeiros itens da lista quando decidiram deixar o apartamento localizado no Vista Alegre e adquirir o novo imóvel, com cerca de 40 anos, no Alto da Glória. “Agora, poderemos ir andando para o trabalho”, dizem.
O preço mais em conta é outro destaque. Sidney Axelrud, sócio-proprietário da Cibraco Imóveis, conta que um apartamento usado com alguns anos de construção custa, em média, 20% menos do que um novo localizado na mesma região. “O cliente compra mais m² privativo pelo mesmo valor”, acrescenta Tomazini. O resultado são apartamentos amplos, com pé-direito mais alto e plantas privativas que facilmente ultrapassam os 100 m².
Valorização
Ao contrário do que se pode imaginar, a idade não é o principal fator na determinação do preço de um imóvel. Marcelo Freitas, corretor de imóveis e diretor financeiro do Sindicato dos Corretores de Imóveis no Estado do Paraná (Sindimóveis), explica que a localização e a qualidade do apartamento têm mais peso nessa conta. “Uma unidade antiga reformada e em boa localização consegue ter mais liquidez no mercado”, afirma.
Segundo Freitas, a idade geralmente começa a pesar após os 30, 40 anos de construção, quando novos projetos e conceitos começam a depreciar o valor do imóvel antigo, principalmente se ele não foi bem conservado. “Um apartamento bom num prédio mal cuidado é outro ponto que merece atenção. O hall e a fachada são os cartões de visita da moradia, por isso a qualidade do edifício também tem reflexos no preço do imóvel”, explica.
Charme dos antigos vai além da localização, preço e metragem
Localização, preço e metragens superiores são os principais destaques dos imóveis antigos. Mas não são os únicos. Construídos há mais de vinte anos, muitos empreendimentos carregam também a assinatura de nomes conhecidos da arquitetura curitibana e brasileira, o que traz charme aos espaços e pode ser um fator de motivação para a compra.
O arquiteto David Queiroz de Sant’Ana conta que a esposa, Ana Maria dos Santos, ficou entusiasmada ao saber que o apartamento que adquiriram tem a assinatura de Roberto Gandolfi , um dos nomes da arquitetura modernista de Curitiba.
A arquiteta Andressa Haratz, sócia do escritório Creatio Arquitetura, explica que esses traços podem ser destacados durante a reforma do apartamento, de forma a resgatar a memória do imóvel e manter a originalidade do projeto. “Independente de ser de um arquiteto específico ou de uma época interessante, seguir esse padrão em alguns detalhes do apartamento é importante para conservar suas características e valorizá-lo”, afirma.


sábado, 16 de agosto de 2014

INICIANDO UM TRABALHO PELA MÍDIA

Informo aos clientes e amigos que estou fazendo parte de uma equipe de corretores
altamente qualificados, com apoio de arquitetos e divulgação através do Guia de Negócios da PRIMETV (canal net 26) além de oferecermos atendimento personalizado.
Estamos com produtos da DINARDI Engenharia, com várias faixas de preço e todos com excelente acabamento.

The Place Higienopolis, Residencial Conquista Paes Leme e Diamond Residence.
 




sábado, 26 de julho de 2014

NÃO COMPRE GATO POR LEBRE! A IMPORTÂNCIA DO MEMORIAL DESCRITIVO.


O setor imobiliário em expansão tem trazido grandes contribuições para a sociedade, cumprindo com o direito de moradia previsto na Constituição Federal.

No entanto, os prazos para entrega desses imóveis e a possibilidade de possível atraso tem sido a grande causa para a contratação de mais trabalhadores, o que muitas vezes ocasiona a entrega do imóvel com defeitos ou vícios nem sempre aparentes na vistoria.

As construtoras ou incorporadoras aceleram a construção o que não raras vezes culminam com a entrega do imóvel diferente das especificações contratadas no memorial descritivo, além do prazo, existem também as questões de ordem financeira como fator preponderante a determinar a contratação de empresas, para determinados trabalhos, que acabam por contratar outros profissionais e assim se desenvolve uma cadeia de contratações de difícil controle, tudo visando o menor custo e o prazo de entrega.

Na fase final da construção são convocados os compradores para a vistoria do imóvel, e é nesse momento que o comprador deverá tomar os cuidados necessários para evitar futuras complicações.

O memorial descritivo é um documento elaborado antes do lançamento do empreendimento e que deve estar registrado no cartório de imóveis, sendo um documento público e obrigatório por lei (Lei 4.591/64), podendo ser consultado por qualquer interessado, bastando para tal solicitar ao cartório oferecendo o número da matrícula do imóvel.

O memorial descritivo é peça fundamental para avaliar a entrega do imóvel, que deverá ser dentro dos padrões de normas técnicas e de qualidade.

No momento da vistoria do imóvel é importante a verificação dos itens descritos no memorial descritivo, e caso seja possível ao comprador deverá ser acompanhado de um empreiteiro ou engenheiro de sua confiança e deverá testar o sistema hidráulico, elétrico, verificar as janelas, portas, alinhamento de paredes, pisos, entre outros itens.

Caso encontre alguma divergência deverá solicitar a anotação no laudo de vistoria que será assinado por ambos e ficará uma via com o comprador e outra com a incorporadora, ainda poderá ser recusada a entrega do imóvel dependendo da gravidade da divergência com o memorial.

Existem outros cuidados a serem observados na compra de um imóvel que poderão facilitar a vistoria, como fotografar o imóvel decorado, o stand de venda, o material publicitário, guardar os folhetos, as ofertas, e-mails e toda comunicação escrita, tudo o que possa garantir que o imóvel será entregue como foi apresentado, lembrando que o memorial descritivo deve acompanhar o contrato.

Importante que o imóvel esteja dentro das normas técnicas e de qualidade e qualquer alegação relacionada a diferenciação entre imóvel alto padrão e imóvel popular deve ser afastada no sentido de que o preço determina a qualidade e as normas técnicas. Tais desculpas não são válidas, para pisos tortos, problemas elétricos, infiltrações, entre outros problemas de ordem técnica e de qualidade. O que difere nesses imóveis é apenas a qualidade do material utilizado no acabamento.

Nunca o comprador deve aceitar respostas verbais sobre o conserto solicitado, tudo deve ser documentado, o comprador não deve aceitar nenhuma desculpa que afaste a documentação dos fatos. Mesmo no caso das ligações telefônicas será preciso anotar o nome de quem atendeu e número de protocolo.

Existem vícios ou defeitos que somente poderão ser constatados com o uso do imóvel, como pequenos vazamentos, rachaduras, infiltrações, entre outros. Mesmo esses problemas surgidos após a entrega do imóvel são de responsabilidade da empresa e os reparos deverão ser realizados quando não ressarcidos pela empresa.

Em último caso deve o comprador socorrer-se de uma ação judicial, para o caso de não realização da solicitação de reparo, ressarcimento, ou realização parcial do reparo, lembrando que a solução dessas questões sempre será pautada na perícia técnica cuja avaliação determinará os prejuízos existentes, o que servirá para nortear o pedido de reparação de danos decorrentes do cumprimento do contrato.

Referência
Constituição Federal de 1988.
Lei 4.591/64.

Olinda Caetano Garcia - Advogada com especialização em Direito imobiliário pela FMU, atualmente, como Pres. da Comissão de Segurança Pública OABSBC e membro da Com. de Propostas e Parcerias OABSP
Fonte: JurisWay

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Em São Paulo mercado imobiliário esfria e setor reduz projeções

Em São Paulo, as vendas de imóveis residenciais novos acumuladas entre janeiro e maio foram 41,4% inferiores ao mesmo período do ano passado

Circe Bonatelli, do 
Marcos Santos/USP Imagens
Imóveis: prédios no centro de São Paulo
Os problemas no setor advêm do desempenho fraco da economia brasileira e de eventos como a Copa do Mundo
São Paulo - Os negócios na construção civil estão mais lentos do que o esperado porempresários, que passaram a rever suas estimativas de crescimento para 2014. Os problemas no setor provêm principalmente do desempenho fraco da economia brasileira e do calendário marcado por datas que desviam a atenção de consumidores, como o Carnaval tardio (realizado em março), a Copa do Mundo e as eleições.
Na cidade de São Paulo, maior mercado imobiliário do País, as vendas de imóveis residenciais novos acumuladas entre janeiro e maio foram de 7.982 unidades, 41,4% inferiores ao mesmo período do ano passado. No período, os lançamentos chegaram a 8.947 unidades, recuo de 14,0%. Esses resultados estão abaixo da expectativa inicial do Sindicato da Habitação (Secovi-SP), que esperava que as vendas e lançamentos em 2014 ficassem estáveis ante 2013.
"Os números estão muito abaixo do que esperávamos. A chance de ter que rever um pouco pra baixo nossas projeções no ano é real", afirmou o presidente do Secovi-SP, Cláudio Bernardes. "A quantidade de visitas aos estandes está semelhante à do ano passado, mas o número de conversão de vendas caiu bastante. As pessoas têm mais preocupação sobre o futuro, o que tem lhes dado mais cautela antes de fechar os negócios", avaliou.
Bernardes disse que as empresas já contavam com o efeito negativo da economia mais fraca e do calendário neste ano, mas admitiu que esses fatores foram piores do que as expectativas. "O que pesou foi o dimensionamento do impacto dos fatores já previstos", explicou, citando o excesso de feriados em várias capitais, e o clima de incerteza por conta das eleições.
O esfriamento do mercado respingou no preço dos imóveis, que cresce cada vez menos. De acordo com a pesquisa FipeZap, o preço das moradias na cidade de São Paulo acumula alta de 4,41% no primeiro semestre. O montante é quase um terço do verificado nos últimos 12 meses, quando bateu os 12,3%, o que demonstra forte desaceleração.
"Uma boa parte da culpa pelo desaquecimento do mercado imobiliário está mesmo na atividade mais fraca da economia brasileira de um modo generalizado", afirmou o coordenador da pesquisa FipeZap, Eduardo Zylberstajn. "Mas os preços dos imóveis subiram muito, então hoje tem de fato menos gente em condições de pagar por eles", ponderou.
Zylberstajn disse também que as condições para compra da habitação pioraram do ano passado para cá, com juros mais caros. Conforme dados do Banco Central, a taxa média de juros do financiamento imobiliário passou de 7,84% ao ano em maio de 2013 para 9,52% ao ano em maio de 2014. "O crédito ainda é um facilitador, mas ele já não consegue mais aumentar o poder de compra como ocorreu no passado", ressaltou.
Cortes
Caso o Secovi-SP confirme o ajuste nas suas projeções, ele vai se juntar a outras três entidades. Em maio, a Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat) baixou de 4,5% para 3,0% sua estimativa de alta no faturamento em 2014. Depois dela, foi a vez do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP) reduzir de 2,8% para a faixa de 1,0% a 2,0% sua previsão de aumento do Produto Interno Bruto (PIB) do setor neste ano.
A última a ajustar seus números, na semana passada, foi a Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco), que cortou praticamente pela metade sua projeção de avanço no faturamento em 2014, passando de 7,2% para 3,5%.
"O varejo de materiais depende muito de cada dia de venda. E os feriados causaram uma perda muito grande", disse Cláudio Conz, presidente da Anamaco. "E há um estado de espírito ruim, um certo temor sobre como a economia brasileira vai andar. Isso afetou as vendas", completou, citando que muitas obras para reformas e ampliações de residências foram adiadas. Entre janeiro e junho deste ano, as vendas de materiais de construção foram 3,5% menores do que nos mesmos meses do ano passado.
Já para o Sinduscon-SP, a decisão de rever suas estimativas se baseou na queda no ritmo de crescimento do número de trabalhadores no setor. No fim de maio, havia 3,525 milhões de pessoas empregadas na construção no País, montante apenas 0,42% maior do que no mesmo mês de 2013.
"A estabilização do nível de emprego reflete a retração no crescimento dos investimentos", afirmou Sérgio Watanabe, presidente do sindicato. "No caso da cidade de São Paulo, onde o nível de emprego na construção voltou ao patamar de um ano atrás, as incertezas com relação ao Plano Diretor também pesaram", completou, referindo-se à mudança na legislação que aumentou as restrições para uso dos terrenos e tamanhos das edificações na capital paulista.
Perspectivas
Os próximos meses de 2014 ainda preocupam os empresários porque não há perspectiva de melhora no quadro econômico do País no curto prazo. No entanto, alguns fatores podem ajudar os negócios da construção.
Conz, da Anamaco, acredita que muitas obras residenciais adiadas no primeiro semestre ainda serão colocadas em prática nos próximos meses. Outro ponto importante, segundo ele, é que os fundamentos que sustentam tanto a comercialização de materiais de construção quanto de imóveis continuam consistentes, com bons níveis de emprego e renda da população, além de disponibilidade de crédito. "Não é uma situação de desastre para o setor. Um pouquinho de sinalização positiva e os negócios voltarão a melhorar. Isso deve acontecer depois da Copa", afirmou.
Bernardes, do Secovi-SP, lembrou que as vendas e lançamentos de imóveis costuma ser maiores no segundo semestre, com tendência de recuperação após as férias de julho. Em relação aos preços, ele admitiu que pode haver reduções pontuais em alguns bairros de São Paulo onde os valores das unidades e os estoques estão mais elevados. "Em algumas regiões, o preço pode estar mais esticado, então pode ter algum ajuste. Mas não é um processo generalizado na cidade", afirmou.