domingo, 5 de maio de 2013

Isto é Brasil sério!


05/05/2013 -- 00h00

Startups são a 'bola da vez'

Em Londrina, jovens criam sistema de captação e entrega de comida produzida por restaurantes da cidade
Ricardo Chicarelli
Gabriel Lorencette, Roberto Moreira e Marlon Paschoal: serviço funciona 24 horas e ainda permite programar pedidos para outras datas
Theo Marques
O casal Flavia e Soren Jensen, de Curitiba, tem uma empresa de invenções, que são lançadas em sites de financiamento colaborativo
Empresas de pequeno porte, recém-criadas ou em fase de implantação, normalmente de base tecnológica, que apresentam baixo custo e oportunidades rápidas de crescimento são a ''bola da vez'' do empreendedorismo nacional. Tratam-se das startups, que inclusive ganharam um programa específico do governo federal, o Start-Up Brasil, cujas inscrições estão abertas até 31 de maio. 

Em Londrina, um grupo de jovens empreendedores apostou neste modelo de negócio e se prepara para lançar no mercado ''A Deliveria'', um sistema de captação de pedidos e entregas de comida pronta. O designer Roberto Moreira, de 26 anos, o gastrônomo Gabriel Lorencette, de 23, o engenheiro de software Marlon Paschoal, de 23, e o analista de sistema Junio de Souza, de 24, formam o time que, desde outubro do ano passado, trabalha para transformar a boa ideia em negócio. 

''A Deliveria'' (www.adeliveria.com) é um site que oferece o cardápio de 25 restaurantes parceiros, recebe os pedidos dos clientes, encaminha para as empresas e monitora as entregas. Para quem pede, a vantagem está em escolher entre diversas opções de cardápios, conhecer os preços e a comodidade de fazer tudo pela própria internet sem pagar mais pelo serviço. Para os restaurantes, o site organiza os pedidos, identifica se o endereço do cliente está entre os locais para entrega, envia o mapa da rota e promove uma divulgação dos serviços, visto que o sistema funciona como uma rede social onde os usuários podem classificar o atendimento das empresas e deixar sugestões para outros internautas. Para ter acesso, as empresas pagam uma comissão sobre os pedidos. 

Os rapazes explicam que não se trata de um simples site. Todo o processo é informatizado, o que significa que o cliente receberá atualizações do status do pedido por SMS. ''Desenvolvemos essa ferramenta para que as pessoas tenham garantia da entrega'', reforça Roberto. O serviço funciona 24 horas e ainda permite programar pedidos para outras datas. ''Traz muitas facilidades para o estabelecimento'', garantem. 

Eles reforçam que não se trata de um site de compra coletiva. ''O preço praticado é o mesmo do cardápio, acrescido da taxa de entrega'', dizem. Aplicativos para smartphones e tablets e uma máquina de recebimento de pedidos por satélite, para os restaurantes e lanchonetes onde não há computadores, são algumas novidades já em desenvolvimento. 

Os empreendedores da Deliveria desenvolveram o negócio em suas próprias casas. O custo de desenvolvimento é baixo, mas para verificar a viabilidade do empreendimento, eles contaram com uma consultoria do Sebrae. O site deve estar disponível para pedidos ainda este mês. 

Invenções 

Outra tendência entre as novíssimas empresas do mercado brasileiro é o chamado financiamento colaborativo. Empreendedores com boas ideias apresentam seus projetos em sites especializados em ''crowdfunding'' e tentam levantar os recursos necessários para retirá-los ''do papel''. Internautas que compram a ideia depositam uma quantia em dinheiro para viabilizá-la. Caso o valor necessário seja atingido, eles recebem produtos como pagamento pelo investimento. Se o valor não é alcançado, o dinheiro é devolvido. 

A brasileira Flavia Arantes Jensen e o dinamarquês Soren Soggard Jensen são casados, moram em Curitiba e possuem um negócio inusitado. ''Temos uma empresa de invenções'', explica Flavia. O negócio é baseado em invenções de Soren que são lançadas em sites de financiamento colaborativo. Atualmente eles trabalham em um varal para meias e lingeries que facilita a retirada das peças do varal convencional quando chove. Os dois também comercializam no Brasil o Cablox, um organizador de cabos desenvolvido quando ainda moravam na Dinamarca. 

Eles mantém uma empresa na Dinamarca e preparam-se para lançar no Brasil a loja virtual Cosmonauta (www.cosmonauta.com.br), onde além de comercializarem os produtos desenvolvidos por Soren, também venderão criações de designers dinamarqueses. ''Nosso objetivo é trazer produtos inovadores e que tenham utilidade'', diz. Entre os objetos que já causaram interesse nos brasileiros, estão as taças de vinho de acrílico com sistema ''antivazamento''. ''Já temos encomendas'', conta. 

Diante da experiência de empreender na Europa, Flavia considera que os empresários brasileiros são ''guerreiros''. ''Temos que matar um leão por dia'', avalia ela, apontando a burocracia como o maior entrave aos novos empreendimentos. ''Abrir uma empresa no Brasil é um teste de paciência e perseverança.'' 

Serviço: Mais informações sobre o programa Start-Up Brasil no site startupbrasil.mcti.gov.br
Carolina Avansini 
Reportagem Local

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