segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Prédios estão mais enxutos

Aniele Nascimento/ Gazeta do Povo
Aniele Nascimento/ Gazeta do Povo / Empreendi-mento de 18 unidades no Cabral: menor demanda por habitação possibilita obras com perfis bem específicosEmpreendi-mento de 18 unidades no Cabral: menor demanda por habitação possibilita obras com perfis bem específicos

Prédios estão mais enxutos

Relação entre oferta e demanda e escassez de grandes terrenos reduz tamanho dos lançamentos. Prevalecem empreendimentos com até 100 unidades
20/10/2013 | 00:03  Taiana Bubniak
No primeiro semestre desse ano, nenhum empreendimento residencial lançado em Curitiba tinha mais de 301 unidades. Comparando com o perfil de lançamentos realizados entre 2008 e 2012, a mudança é sintomática. De acordo com a Associação dos Dirigentes do Mercado Imobiliário (Ademi-PR), durante o boom do setor imobiliário os mega empreendimentos chegaram a representar 10% dos novos prédios.
No mesmo período, cresceu também o número de lançamentos de prédios com 101 a 300 apartamentos. Hoje, a fatia predominante é dos empreendimentos com menos de 100 unidades. Até junho de 2013, de acordo com a Ademi-PR, eles representaram 83% dos lançamentos em Curitiba.
Números
Empresas investem nos menores e atentam para demanda específica
O cenário atual aponta para a queda de lançamentos com mais de 300 unidades em Curitiba – a maioria deles realizada por empresas nacionais, que trouxeram para a capital o conceito de condomínio-clube.
Segundo levantamento da Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Paraná (Ademi/PR), no primeiro semestre desse ano não foram lançados empreendimentos com mais de 301 unidades na capital.
O número de edifícios residenciais com 101 a 300 unidades também vem caindo. Em 2010 eles correspondiam a 26% do total de empreendimentos novos, mas em junho desse ano participaram com 17% da oferta. No sentido contrário, a quantidade de prédios com no máximo 100 unidades cresce em Curitiba. Eles representavam 64% dos lançamentos em 2010 e em junho de 2013 totalizaram 83% da oferta.
Fonte: Ademi-PR
Marcos Kahtalian, consul­­tor do Sindicato da In­­dús­­tria da Construção Civil (Sin­­dus­­con-PR), diz que esse movimento aconteceu porque havia muita demanda e poucos imóveis. “As construtoras daqui e as que vieram de fora passaram a apostar nos residenciais com muitas unidades. A estratégia atual de redução vem pela desconcentração de imóveis no mesmo local”, analisa Kahtalian, também diretor da consultoria Brain.
Planejamento
No início do ano, a Brain apresentou pesquisa para associados do Sinduscon-PR que já revelava a situação. Além de orientar incorporadores a planejar muito bem os novos empreendimentos, o levantamento mostrou que o morador de Curitiba prefere prédios mais enxutos e sem tantas áreas comuns.
“Com a relação entre procura e oferta mais equilibrada, as empresas não querem correr o risco de reduzir a velocidade de vendas. Faz menos sentido oferecer muitas unidades, que podem levar mais tempo para ser vendidas”, diz.
O foco do momento são os empreendimentos mais qualificados. “As construtoras estão planejando lançamentos mais específicos, com foco em um público alvo bem determinado”, aponta Kahtalian. É o caso da Swell. A incorporadora lança e constrói prédios pequenos e de alto padrão. O menor deles, que está em execução, tem 18 unidades e fica no Cabral. O maior já feito pela Swell tinha 89 apartamentos e conceito de clube.
Áreas
A indisponibilidade de terrenos e o regramento para uso do solo também influenciam. “Empreendimentos grandes precisam de áreas maiores. Um terreno para comportar essa densidade habitacional vai depender muito da localização e, em Curitiba, já não há grandes espaços disponíveis”, conta o diretor da empresa, Leonardo Pissetti.
Para ele, os grandes empreendimentos pertencem a outra época do mercado, quando a cidade havia passado anos sem lançamentos. “A demanda estava muito expressiva. Agora estamos no ano de entrega recorde e as empresas estão buscando a exclusividade”, aponta.
Tendência
Para Kahtalian, é difícil que regiões de Curitiba ainda recebam grandes empreendimentos. “É mais provável que prédios com muitas unidades sejam instalados na região metropolitana”, aponta.
A revisão do plano diretor da cidade, prevista para o ano que vem, também é determinante para as escolhas das incorporadoras, lembra Orlando Ribeiro, presidente da Associação dos Escritórios de Arquitetura no Paraná (Asbea-PR). “O setor também espera para ver se haverá alguma mudança no zoneamento. Isso poderá influenciar o perfil dos empreendimentos”, aponta.

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